Rhythms of Resistance: música com uma causa



A primeira banda teve início em Praga, nos anos 2000, durante as manifestações contra a cúpula anual entre o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, no que foi o primeiro movimento mundial de oposição em massa ao capitalismo globalizado e à desigualdade e exclusão social que é gerada por ele e que é assegurada por estas organizações.


Apesar da primeira banda ter surgido na Europa, a estrutura de funcionamento foi influenciada principalmente pelos blocos-afro de carnaval brasileiro de Salvador – Bahia, como Ilê Aiyê e o próprio Olodum. Estes grupos nasceram como uma forma de expressão da consciência negra, procurando denunciar o racismo ao mesmo tempo que incentivam o orgulho dos afro-brasileiros pelas suas raízes africanas (r)existentes na cultura brasileira, exaltando a beleza das suas vestimentas, das danças e… da música!


O RoR (Rhythms of Resistance) nasce em contexto de luta e traz as suas influências de lutas, e isso reflete-se nos estilos de músicas que são tocadas, tendo uma diversidade e uma inclusão bastante grande em termos culturais e até históricos. Utilizamos instrumentos de percussão e a nossa presença em ações e manifestações dá-se através de uma forma de protesto chamada frivolidade tática, que é justamente essa criação de um ambiente carnavalesco através da música e das roupas, que sempre temos como marcante a cor rosa.





Isto dá força para as marchas e ações, além de diluir a tensão e também violência policial que pode acontecer em determinadas situações. Estamos ali, sobretudo, para unir as pessoas e para chamar maior atenção às causas, que, inclusive, apoiamos as mais diversas: sociais, ambientais, animais. Todas as que entendemos que precisem de ser feita justiça em algum âmbito e que façam jus ao que acreditamos e defendemos enquanto indivíduos e enquanto membros do RoR.


Acredito que o Rhythms of Resistance possui um espaço importante nas lutas, tanto aqui em Lisboa quanto em qualquer cidade que tenha a banda ativa.


É notável a diferença de interação das pessoas participantes das ações quando estamos e quando não estamos lá. Para além de animarmos, entretermos e fazermos com que o tempo passado nas ruas seja menos cansativo, ou até triste às vezes, quando puxamos gritos há uma grande adesão, e cria-se uma atmosfera de bastante poder e faz as muitas vozes ecoarem como uma. Fazemos com que sejamos ouvidos.


Outra coisa é que fazer parte da banda em si é algo muito transformador. Estar sempre a conviver com pessoas com os mesmos ideais que os teus e que são empenhadas em promover mudanças no mundo é extremamente acolhedor e inspirador. Faz-nos ver que não estamos sozinhos e que há, sim, pessoas dispostas a saírem da sua zona de conforto e por vezes até colocarem em risco a própria liberdade em nome da liberdade do outro. Isso é incrível. Faz-te continuar a querer fazer a diferença e a fazer cada vez mais.





Nós, portanto, não somos músicos profissionais. Apenas somos pessoas diversas que compartilham de uma orientação política semelhante, as quais dão base aos princípios do RoR. São eles: oposição ao capitalismo, a acordos comerciais e instituições/governos que promovam uma globalização destrutiva, tanto para os seres humanos como para a natureza; rejeição a todas as formas e sistemas de opressão, incluindo – mas não se limitando a – o patriarcado, o racismo, a xenofobia, fundamentalismo religioso de qualquer crença, apelo a protestos, à ação direta, à desobediência civil e a mais formas de resistência que procuram aumentar o respeito pela vida e por aqueles que são oprimidos; descentralização e autonomia. A estrutura do grupo é horizontal, não há líderes. Todas as pessoas que fazem parte possuem uma voz e participam nas decisões, que são sempre tomadas em conjunto, em assembleias.


O nome da banda de Rhythms of Resistance de Lisboa é Sambacção (Samba + Ação). Ensaiamos todas as segundas-feiras, na Disgraça, (no momento estamos sem ensaios presenciais devido à pandemia) e somos uma banda aberta a qualquer pessoa que se identifique com os princípios e que queira fazer parte! Para mais informações podem sempre entrar em contacto connosco através da nossa página do Facebook ou no Instagram.


Texto de Gabriella Baron

Ilustração de Nuno Amaral

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